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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Estímulo à Memória



A relações-públicas Yara de Castro Mahfuz, 48, tem se sentido cada vez mais "esquecida". "Às vezes demoro um tempão para me lembrar de coisas bobas, como o filme da semana passada."
O medo de ter Alzheimer a levou a se matricular em um curso de estímulo à memória e à atenção que começa nesta semana no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na capital paulista.

Hospital em São Paulo oferece curso para melhorar a memória
Segundo especialistas, a procura por esses cursos tem aumentado nos últimos anos.

Com duração de cinco meses, o programa de aulas semanais do Oswaldo Cruz tem competições de sudoku e dicas de como melhorar o sono e guardar mais informações de textos lidos. O curso custa, ao todo, R$ 1.800.

"Estimulamos a pessoa a usar a memória e fazer o cérebro funcionar sem apoio, como ir ao supermercado sem lista", diz Gislaine Gil, neuropsicóloga do hospital.
Yara convenceu a amiga Silvia Schweizer, 51, e mais cinco pessoas a se inscrever. "Queremos estar com o cérebro sadio para acompanhar o físico", conta Schweizer.
A rede de franquias Supera, que oferece um curso de "ginástica cerebral", tem 69 unidades em 17 Estados.

A escola oferece treinos de cálculo com o ábaco e exercícios de lógica e concentração para pessoas de cinco a 90 anos, segundo Antonio Carlos Guarini Perpétuo, idealizador da metodologia.
A mensalidade custa, em média, R$ 189. "A sociedade sabe dos benefícios dos exercícios. O que poucos sabem é que há escolas para isso."

CRUZADINHAS
Segundo a neuropsicóloga do Oswaldo Cruz, o programa ensina estratégias para cada tipo de memória. A que mais falha, afirma, é a prospectiva, que envolve lembrar de fazer algo no futuro.
"Nesse caso, é mais eficaz lembrar durante uma atividade o que você estava fazendo e o que deverá fazer depois."
Já as palavras cruzadas trabalham com a memória relacionada ao conhecimento que você tem sobre o mundo.

De acordo com o neurologista Arthur Oscar Schelp, da Unesp, é importante estimular a atividade cerebral com exercícios sobre sequência temporal --especialmente para quem tem Alzheimer.
Isso consiste em, por exemplo, estimular o idoso a lembrar a ordem dos fatos.
"Muitas vezes o paciente idoso se lembra com clareza de fatos do passado, mas não consegue recordar as atividades do dia anterior", diz.
Schelp afirma que não há estudos que demonstrem que palavras cruzadas e atividades do tipo melhoram a memória. "Mas sabe-se que é importante manter a mente ativa. O cérebro é como um braço. Se você não usa, atrofia".

Ivan Okamoto, neurologista do hospital Albert Einstein e coordenador do Instituto da Memória da Unifesp, conta que é importante fazer atividades que deem prazer, ler, continuar trabalhando de alguma forma e manter os laços sociais e afetivos.
O que comprovadamente funciona, segundo os especialistas, é fazer exercícios físicos regularmente e manter uma dieta balanceada.

De acordo com Okamoto, não se sabe se os exercícios são benéficos porque melhoram o sistema cardiovascular (e evitam microinfartos em pequenos vasos no cérebro, que prejudicam a oxigenação na região) ou porque liberam substâncias que impedem a degeneração neuronal.
Mas o fato é que o envelhecimento da população é terreno fértil para o aparecimento de "curas milagrosas".

"É melhor fazer academia ou curso de idiomas do que programas sem eficácia comprovada", afirma Okamoto.
Ele ressalta que o esquecimento afeta a todos, mas pode precisar de ajuda médica quando interfere no dia a dia.


Fonte: Folha Online


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

“OS SETE SABERES NECESSÁRIOS À EDUCAÇÃO DO FUTURO”




“Os sete saberes necessários à educação do futuro” tem por objetivo expor problemas centrais que permanecem totalmente ignorados ou esquecidos e que são necessários para se ensinar no futuro.

O livro tem sete pontos fundamentais:
As cegueiras do conhecimento: O erro e a ilusão;
Os princípios do conhecimento pertinente;
Ensinar a condição humana;
Ensinar a identidade terrena;
Enfrentar as incertezas;
Ensinar a compreensão;
A ética do gênero humano.

“As cegueiras do conhecimento: O erro e a ilusão”; o autor defende a importância de se considerar os inúmeros erros e ilusões que podem ocorrer na transmissão de informação. Destaca os erros mentais, intelectuais e os erros da razão, enfatizando, neste último, a diferença entre racionalização e racionalidade, pois considera a racionalidade uma das proteções contra o erro e a ilusão. Morin também destaca as cegueiras paradigmáticas e mostra como os paradigmas que controlam a ciência podem desenvolver ilusões. Para o autor a educação deve sempre estar atenta à identificação da origem de erros, ilusões e cegueiras. E mais que isso, considerar sempre todos os aspectos dos problemas, sejam eles antropológicos, políticos, sociais ou históricos.

“Os princípios do conhecimento pertinente”;  Nesse capítulo ele trabalha as questões do contexto, o global, o multidimensional, o complexo, mostrando que o conhecimento dividido em disciplinas o  vezes impede a visualização da totalidade. Para Morin é importante que se consiga estabelecer as relações entre as partes e o todo em um mundo complexo.

“Ensinar a condição humana”; traz mais uma vez a discussão do ensino fragmentado e de como isso é prejudicial à educação. É preciso considerar o ser humano e toda sua complexidade: sua condição física, biológica, psíquica, cultural, social, histórica. A educação do futuro deveria “mostrar e ilustrar o destino multifacetado do humano: o destino da espécie humana, o destino individual, o destino social, o destino histórico, todos entrelaçados e inseparáveis.”

“Ensinar a identidade terrena”; O autor faz um breve panorama do “resultado” da educação no século passado, falando da herança de morte (armas nucleares, vírus, etc.), da morte da modernidade. Tal panorama serve como contraponto ao que o autor chama de herança de nascimento, a cidadania terrestre. Para ilustrar esse pensamento, Morin usa como exemplo várias contracorrentes existentes hoje que estão no cerne dessa missão: contracorrente ecológica, qualitativa, de resistência à vida prosaica, de resistência ao consumo padronizado, entre outras.

“Enfrentar as incertezas”; Morin defende que é preciso ensinar estratégias que permitiriam enfrentar os imprevistos e agir usando as informações adquiridas ao longo do tempo. O autor faz uma reflexão sobre a importância de sabermos lidar com as incertezas ligadas ao conhecimento.

“Ensinar a compreensão”; O autor mostra o paradoxo do nosso tempo: apesar de termos cada vez mais meios de comunicação, a incompreensão permanece geral. O autor discute sobre as duas formas de compreensão: a compreensão intelectual e a compreensão humana, afirmando que enquanto a compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação, a compreensão humana vai além da explicação, comportando um conhecimento sujeito a sujeito. Morin cita o egocentrismo, o etnocentrismo, o sociocentrismo como obstáculos às duas compreensões. É imprescindível que a educação do futuro trabalhe a questão da compreensão, em todas as idades e em todos os níveis de educação.

“A ética do gênero humano”; Morim  mostra que indivíduo/sociedade/espécie são co-produtores um do outro. A educação deve conduzir à ética propriamente humana, que compreende a esperança na completude da humanidade, como consciência e cidadania planetária. O autor reforça ainda a importância da democracia para a educação do futuro e conclui salientando que a educação do futuro tem como finalidade a busca da hominização na humanização.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 12 ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2007.

Cf: infoeducacaousp.blogspot.com/2008/04/resenha.html. Acesso: 01/11/2011.

Ainda um vídeo interessante para se fazer uma reflexão:
“OS SETE SABERES NECESSÁRIOS À EDUCAÇÃO DO FUTURO”