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terça-feira, 22 de outubro de 2013

A vida e a obra de Cruz e Sousa

João da Cruz e Souza, poeta, jornalista, professor, nasceu na cidade de Desterro (atual Florianópolis), Santa Catarina em 24 de novembro de 1861. Filho de escravos alforriados, teve educação cuidada pelos antigos senhores de seus pais. Em 1882 e 1883, viajou pelo Norte do país, como secretário e ponto de uma companhia teatral. De novo em Desterro, integrou-se ao movimento abolicionista, atuando na imprensa. 

Indicado para uma promotoria pública em Laguna, no interior de Santa Catarina, teve a nomeação barrada devido ao racismo. Em 1885, funda o jornal O Moleque, título que deu lugar à exploração mordaz por parte dos adversários. Em 1890, já no Rio de Janeiro, ingressa no funcionalismo público, como amanuense da Estrada de Ferro Central do Brasil, cargo humilde e pouco rendoso, que não lhe permitia sair da vida de privações. Influenciado pelo movimento decadentista francês, lançou, no jornal Folha Popular, em 1891, com B. Lopes, Oscar Rosas e Emiliano Perneta, o manifesto que viria dar corpo ao movimento simbolista, iniciado com a publicação dos livros Missal e Broquéis. Ao lado das dificuldades financeiras, passou por muitos dissabores na vida intelectual, jamais logrando bom acolhimento nas redações dos jornais e nas rodas literárias. 

Seu sofrimento, acentuado pela morte do pai e pelo enlouquecimento da esposa, Gavita Rosa Gonçalves, conduziu-o a uma crise, que o levou a adquirir tuberculose, do que viria a morrer. "Poeta Negro", "Dante Negro", "Cisne Negro"... não são poucos os epítetos colocados nesse poeta que, tendo morrido em 1898, já foi comparado a Mallarmé, Baudelaire, Stefan George e Lautréamont, entre outros escritores de grande importância internacional. Num momento em que o Naturalismo e o Parnasianismo determinavam o cânone literário do país, o aparecimento de ‘Broquéis’ inaugura o Movimento Simbolista no Brasil, adquirindo com Cruz e Sousa (um filho de escravos libertados que, apesar disso, recebeu uma educação aristocrática e se manifestou amplamente a favor do abolicionismo) uma característica inteiramente singular. 

Se sua originalidade decorre da capacidade criativa e da dedicação, as tragédias da vida não foram menos importantes para a formulação de uma poética simultaneamente pensada e nevrálgica, ou, como já se disse, "selvagem". Com ele, através de uma desconexão lógica da imaginação e de uma multiplicidade significativa da linguagem, a subjetividade se abre, doridamente, a uma misteriosa violência cósmica e ontológica. Talvez, outro poeta não tenha tido um trabalho tão afim ao dele quanto Van Gogh.

Tropos e Fantasias (1885)
Broquéis (1893)
Missal (1893)
Evocações (1898)
Faróis (1900)
Últimos Sonetos (1905)
Obras (1943)
 
Fonte: www1.an.com.br - Acesso: 10/11/2011.

Nos comentários abaixo, muitas poesias de 
Cruz e Sousa. 
Vale a pena conferir! 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A importante missão de um divulgador científico


A morte do pioneiro do jornalismo científico da Espanha, Manuel Calvo Hernando, aos 88 anos, no dia 16, em Madri, lembra importante ciclo de incentivo à divulgação da ciência na imprensa da América Latina, com especial destaque para o Brasil.


Calvo Hernando ajudou a criar, em países da América Central e do Sul, associações de jornalismo científico, visando despertar o interesse das novas gerações para a divulgação da ciência. Bacharel em direito, não exerceu a advocacia, preferindo a atividade de jornalista nas páginas do diário "Ya". O jornalista científico espanhol Manuel Calvo Hernando, que morreu aos 88 anos em Madri.

Em 1955, ao cobrir a 1ª. Conferência Mundial de Usos Pacíficos da Energia Atômica, organizada pela ONU, em Genebra, descobriu a ciência e a importância de tornar acessível à maioria o conhecimento de uma minoria, como dizia em suas palestras.
Desde então, até mesmo quando assumiu o cargo de subdiretor do jornal, continuou a escrever sobre ciência.
Como pioneiro do jornalismo científico espanhol, dizia que o conhecimento dos avanços da ciência e da tecnologia pela população a ajudaria a decidir sobre seu futuro.

Em 1969, iniciou uma série de cursos e palestras na América Latina quando, em colaboração com o venezuelano Aristides Bastidas, fundou a Associação Ibero-Americana de Jornalismo Científico.
Em 1970, a convite do professor José Marques de Melo, ministrou curso na Escola de Comunicações Culturais da USP, cujas lições, destaca Marques de Melo, "foram basilares para a aprendizagem e o exercício crítico do jornalismo científico".
Calvo Hernando incentivou a fundação da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, criada em 1978. Graças ao seu empenho, São Paulo foi sede, em 1982, do 4º. Congresso Ibero-Americano de Jornalismo Científico, realizado concomitantemente com o 1º. Congresso da ABJC.
A repercussão dos congressos resultou, na década de 80, no surgimento de editorias de ciência e tecnologia nos principais jornais do país.

Há dez anos, durante o 1º. Congresso Internacional de Divulgação Científica realizado na USP pelo Núcleo José Reis e pela Associação Brasileira de Divulgação Científica, proferiu sua última conferência no Brasil, quando analisou os desafios ligados à ética na divulgação científica.
Em um dos cursos que ministrou na Espanha, um aluno perguntou sobre as qualidades necessárias para ser jornalista científico. Respondeu: "Em primeiro lugar, deve ser jornalista e conhecer o ofício. Depois, deve ter amor especial ao conhecimento e uma curiosidade universal, além de espírito pedagógico".
Não houve sepultamento do corpo de Hernando. Ele doou seu corpo a uma faculdade de medicina.

Fonte: Folha Online